Sábado, 8 de Dezembro de 2007

Poeta sem classe

Sou um poeta sem classe
sem o olhar altivo das semáforas
nem o sorriso seguro do futuro
 
As minha palavras estão sujas
têm as marcas das crianças vadias
e das prostitutas perdidas
 
Tenho este olhar mendigo e assassino
que não consigo esconder
 
Em mim reflectem-se todos os impossíveis
não existem estradas com rumos
nem finais felizes
 
Sou um poeta sem classe
de bolsos vazios e peito carente
 
Sou o homem e a sombra
o pescador de desertos
o herói sem nome
o sonho sem horizonte
 
E este descontentamento que me faz escrever
 
Sou um poeta sem classe
cidadão sem passaporte
abutre de suas próprias entranhas
um morto ressuscitado
respirando a angústia da humanidade
 
Sou esse poeta sem medo
de enterrar os dedos no sofrimento
de olhar o céu e o inferno
e queimar o corpo nas labaredas
dos desejos insaciáveis
 
Sou um poeta sem classe
profano da paz e do equilíbrio
imperfeito como o deus que não encontrei
e a mulher que não soube amar
 
Sou um poeta sem ser
com voz de vento e tempestade
gelado no tempo
onde as palavras se imortalizam...
 
Manuel Neves
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publicado por A flor da pele às 21:42
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Muda o teu tempo e mudarás a tua mente.
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